A instituição é a obrigação. É aquilo que nos faz crer que tudo que se dá ao arrepio de sua lei é um desvio indesejado. Fique claro: a instituição não é Princeton, a USP, o governo, a família ou o casamento. A instituição é simplesmente a crença que, cristalizada, nos lembra que há um caminho a seguir.
A instituição existe ali onde a inteligência falta.
Eu tremo sempre que percebo a naturalidade com que aqui nos
Estados Unidos se considera que as “Ivies” (as universidades da Ivy league, que
são as mais prestigiosas e elitistas da costa leste) são um repositório de
sabedoria e genialidade. Que há sábios e gênios, tudo bem. Mas que estar em
Princeton ou Yale seja motivo suficiente para ser parte do seleto e imaginário
grupo dos sábios, já aí o meu sobrecenho se carrega. Há momentos em que me
ponho a fitar, numa curiosidade infinita, um colega que vejo entregar-se a tal
fantasia. Parece assombroso o fenômeno: estamos
aqui, logo somos inteligentes. É o que o finado Brás Cubas chamaria de uma
“imaginação graduada em consciência”. Ele aliás se referia ao fenômeno do pai,
entregue ao delírio de uma genealogia falsa. E as instituições não existem
senão à sombra do desejo paterno. Mas deixemos as metáforas psicanalíticas pra
lá.
Outro fenômeno curioso é o das línguas faladas: volta e meia
me ponho a mirar, assustado, um colega que se refere a alguém como
inteligentíssimo, e que, diante de uma dúvida qualquer, dá o remate final:
“fulano fala tantas línguas...” O meu desejo imediato é retrucar que um
poliglota também pode ser estúpido, assim como um estúpido pode ser poliglota. Mas a educação me faz engulir meu retruque.
Tanto “excelentes” quanto “inteligentes”, poliglotas ou não,
são cativos de um temor profundo: que se os desnude. Que se descubra a
limitação –a boa e honesta limitação– por trás da couraça da inteligência. Não
é preciso evocar Nietzsche ou Pascal –não é preciso ser erudito– para
desconfiar que a inteligência faz também sua morada ainda nos mais humildes
lares. Em cabeças, em suma, que pelas mais variadas razões jamais chegarão às
Ivies ou jamais falarão muitas línguas.
Uma pergunta sociológica, para inaugurar a manhã de trabalho:
por que uma sociedade democrática precisa tão desesperadamente de mecanismos
aristocráticos? Por que é preciso manter a “excelência”? A resposta é complexa.
Penso no paradoxo de Tocqueville, que em sua fascinação pelo experimento
democrático na América jamais abandonou o espírito do Antigo Regime, e supunha
que, numa sociedade livre, algumas poucas universidades onde se ensinasse o
latim e o grego seriam suficientes. Para o resto, deve-se ensinar a ser
produtivo.
There must be some
other way to settle this argument. Estou com Ginsberg e não abro.


Vejo claro este paradoxo 'Tocquevilleano' na comunidade de Princeton e na sociedade como um todo, mas como o desejo de manter a "excelência" como objetivo individual? Existe o mesmo paradoxo no individual que valoriza o conceito de democracia – no sentido mais amplio – mas tmbm batalha por reconhecimento, conquista, poder, &c...?
ResponderExcluirbelo texto... se eu fosse a favor das leituras obrigatórias, essa faria parte do pacote entregue a todos os agraciados por um email .edu ...
ResponderExcluiraliás, legal ver o alexis e o allen lado a lado. ele parece sumamente interessado nos pés da Dea. e btw: essas pedras portuguesas, onde estão? pergunto pelo limo.
Quase embaixo da Ponte 25 de Abril...
ResponderExcluir-Kofi Annan: I am the President of the United Nations
ResponderExcluir-Elmo: Elmo is Elmo
Le reste, de la littérature...
http://www.youtube.com/watch?v=RxqzWweOSbU